Meditação ocidental e oriental

O combinado não sai caro

16 novembro 2016
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dr_kenu_satyanarayana Confira na íntegra a entrevista com o Dr. Gustavo Dias Mattos (Kenu Satyanarayana), advogado e professor de Raja Vidya Yoga, na revista Vidya News, falando sobre ética, prestação de serviços e a importância do contrato.

Por Thaise Graciano Bruda

Todos os tipos de prestação de serviço exigem um contrato? Qual a importância do contrato?

São incontáveis os tipos de prestação de serviços existentes atualmente. Podem ser serviços médicos, advocatícios, telefonia, construção, pequenos reparos, de transporte, enfim, inúmeras são as possibilidades. Nem todos os tipos de prestação de serviços exigem um contrato, uma vez que o contrato oral é válido em inúmeras situações, além do que  algumas situações do nosso dia a dia é usual e necessário não se valer de um contrato porque inviabilizaria a própria prestação e o uso dos serviços, por exemplo, transporte público, o uso de um taxi, cabeleireiro, estacionamento, etc.

Contudo, a ausência de um contrato não significa que não existam obrigações e deveres recíprocos entre as partes, os quais são protegidas pelo nosso ordenamento jurídico, ou seja, havendo algum problema nesta relação, seja a má prestação do serviço, seja o não pagamento por este serviço, em ambos os casos a solução do conflito pode ser reivindicada através dos órgãos de proteção ao consumidor (Procon) ou do judiciário.

Por outro lado, o contrato é sempre indicado em qualquer outro serviço que destoe dos exemplos acima, uma vez que serviços mais complexos, seja em razão da qualidade ou da quantidade, significa uma relação mais complexa e, em havendo algum problema nesta relação, inexistindo um contrato pode significar não conseguir exigir o que foi efetivamente acordado entre as partes.

O contrato previne não apenas “ruídos” na comunicação entre o contratante e o prestador de serviços, definindo melhor qual o dever e obrigação de cada um, mas também evita a falta de ética nestas relações, além de facilitar consideravelmente a busca de seus direitos perante o judiciário.

Ter um contrato com o prestador de serviço é a única forma de se resguardar judicialmente ou há alguma outra maneira?

Não é a única forma, mesmo sem contrato é possível ajuizar uma ação contra quem deixou de prestar os serviços ou porque não tenha sido prestado com a qualidade esperada, mas a chance de ter êxito para quem possui um contrato é muito maior.

É importante entender também que nem todo contrato é complexo. Fala-se em contrato as pessoas já imaginam aqueles contratos de abertura de conta corrente que possui dezenas de páginas…

Para a maioria dos serviços o contrato deve conter a qualificação das partes, o objeto do contrato, ou seja, a relação dos serviços que serão prestados (com bom detalhamento) e a forma de pagamento.

Outra dica que evita problemas futuros, além de um bom contrato, é estabelecer a forma de pagamento. Recomenda-se que seja dado um pequeno sinal e o restante do valor contrato somente ser pago, após o término de cada etapa do serviço, dependendo da qualidade e quantidade do serviço contratado, mas sempre deixando um grande percentual (entre 30% a 50%) a ser pago apenas após completamente finalizado o serviço contratado.

Como podemos explicar a importância da ética na contratação de um serviço (tanto do lado do prestador quanto do cliente)?

“O combinado não sai caro”. Esta é uma expressão popular e que revela bem o sentimento do que significa cumprir o que fora acordado. Se uma pessoa se obrigou a prestar determinado serviço e a outra a pagar por este serviço, é uma atitude ética que ambas cumpram o acordado.

A ética é indispensável em toda e qualquer relação, não apenas nesta relação comercial, mas em todas as esferas do ser humano. O direito, através do contrato, é uma garantia de que nestas relações os deveres e obrigações estabelecidos sejam obedecidos, ainda que, por um desvio ético, alguma das partes resolva não cumprir com sua parte.

Por vezes o problema nem sempre é ético, mas de comunicação. O importante ao contratar um serviço é tirar todas as dúvidas possíveis, esgotar o tema deixando bem claro o que se pretende ao contratar tal serviço e entender o que é possível fazer em cada situação, isto evita que um espere mais do que o outro prometeu, resultando em um conflito evitável.

Mais uma vez revela-se a importância do contrato, deixando por escrito o que foi devidamente “combinado”, para no futuro “não sair mais caro”.

Como podemos identificar prestadores de serviços éticos?

É importante conversar e orçar sobre os serviços com mais de um profissional. Exija por escrito e com detalhes o orçamento. Isso permite perceber qual será o melhor profissional para lhe atender, o que melhor explicou como irá prestar o serviço, o que possui melhor compreensão do problema e que, consequentemente, lhe inspirou maior confiança.

A indicação de prestadores de serviços por quem já os utilizou é também uma ferramenta importante para evitar contratar maus prestadores de serviços.

E, em casos de empresas prestadoras de serviços, a busca pela internet sobre a reputação da empresa é importante para que seja possível identificar quem age ou não com ética no mercado.

Quais as consequências legais de serviços mal feitos ou descumprimento do contrato?

Normalmente estas relações são protegidas pelo Código de Defesa do Consumidor, o qual prevê que o tomador dos serviços pode, alternativamente, exigir: (i) a rescisão contratual (isso implica a devolução de eventuais valores pagos); (ii)  o abatimento do valor contratado por determinado serviço (caso apenas parte do serviço tenha sido prestado); ou, (iii) exigir o cumprimento forçado da obrigação, mesmo que realizado por um terceiro as expensas do prestador de serviços que descumpriu sua obrigação.

Deve-se avaliar qual a melhor opção para cada caso.

Já pela ótica do prestador de serviço, a contrapartida que deve receber é o pagamento pelo serviço prestado e ao não receber pode cobrar judicialmente tais valores.

Por que, na sua opinião como advogado e professor de Raja Vidya Yoga, a grande maioria dos prestadores de serviços falta com a ética?

Acredito que o problema da ética não é exclusivo dos prestadores de serviços, mas de toda a sociedade. Infelizmente a ética não é um problema isolado, vivemos em uma sociedade em que a falta de ética permeia as suas bases.

Nos direcionamos mais para os “nossos direitos” do que atentamos aos nossos deveres e obrigações e isso ocorre em todas as esferas da relação humana, seja ela familiar, social ou comercial.

É importante notar que a falta de ética não é exclusiva dos estereotipados e absurdos casos de corrupção, de fraudadores, de ladrões, noticiados diariamente, mas também esta corriqueiramente presente no nosso dia a dia e, muitas vezes, sem perceber ou de forma maliciosa seguida de alguma desculpa vitimizada, somos os atores desta falta de ética.

Sobre o assunto cito meu Mestre (Swami Vyaghra Yogi):

Enfrente imediatamente a corrupção ao vê-la. A falta de ética e decência pode ser física, mental, emocional, ambiental, material, política, etc. Quando a corrupção atinge um homem e este deixa que ela passe desapercebida, eis que surge um grande entorpecente para a sociedade

(livro: Palavras de Sabedoria)

Portanto, é imprescindível combater a falta de ética em nossas relações diariamente, assim como fazer uma autoavaliação diária e tentar perceber se estamos agimos de acordo com nossos desejos egoístas ou de acordo com o dever ético?

Nas relações comerciais não é diferente. Combata a falta de ética, exija o cumprimento das obrigações, mas também cumpra seus deveres, prestando adequadamente os serviços ou pagando em dia e corretamente os serviços contratados.

Descobri que o caminho do Vidya Yoga e do autoconhecimento é a forma de combater estes males em suas raízes, cujo resultado, ao final, não é apenas social, mas de paz e de felicidade conquistadas.

 

 

Lançamento dos livros de Medicina Integrativa

24 setembro 2016
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No dia 23 de setembro, tivemos o lançamento da nova coleção de livros da Filosofia Vidya, denominada Tratado de Medicina Integrativa.

Eles apresentam o conhecimento terapêutico do Vidya numa linguagem acessível e didática para você. Foram escritos por médicos com larga experiência na medicina convencional e na medicina integrativa, que conheceram o Vidya, receberam os ensinamentos do Mestre Uberto Gama e transformaram positivamente suas vidas.

Confira abaixo as fotos do evento e reserve já os seus exemplares!

Meditação ocidental e oriental

18 agosto 2016
Dra. Glaucia Barros

Com certeza, você já deve ter ouvido falar em meditação.

Mas, você sabe o que ela realmente significa?

Confira, neste vídeo, um trecho da aula ministrada pela Dra. Glaucia Barros (Mestra Kandhara), no Vidya Ashram, explicando os diferentes conceitos e como entender a essência desta prática milenar.

 

 

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Mestra Gita Responde: Em quanto tempo vou avançar nos ásanas?

4 agosto 2016
Mestra Gita Satyanarayana

Na coluna de hoje, a Mestra Gita vai responder uma dúvida muito frequente de quem começa a praticar:

“Quanto tempo demora para que eu avance nos ásanas (posições psicofísicas)?”

Você, com certeza, já deve ter se perguntado, ao se deparar com alguma posição que sentiu mais dificuldade. Para entender um pouco mais sobre esse assunto da prática, veja a explicação abaixo:

Mestra Gita Satyanarayana

Mestra Gita Satyanarayana

“Sempre comentamos que o primeiro mês de prática é mais desafiador. A maioria dos praticantes que chegam não têm o hábito de sentar-se no chão e, mesmo os que fazem atividades físicas, não costumam trabalhar a coluna como o Sádhana (a prática) o faz. Fora isto, o quadro emocional do aluno também determina seu grau de dificuldade em lidar com o físico – isso porque o estado interno do praticante influencia nos efeitos e benefícios de sua vivência, já que a prática de Raja Vidya Yoga não trabalha apenas o físico.

Porém, é fato que todos percebem alguma evolução na prática durante o primeiro mês. Mesmo após a primeira experiência, os alunos conseguem perceber a diferença de como chegaram na Unidade e de como estão saindo. Ainda assim, é comum questionarem quanto tempo levará para avançarem nos ásanas (posições psicofísicas).

Geralmente, esta pergunta está relacionada ao fato de o aluno querer chegar a uma posição em sua totalidade. No Bhujangásana (posição da cobra), por exemplo, a totalidade do ásana consiste em tocar a cabeça com os pés.  Isso impressiona e leva muitos alunos a almejarem esta totalidade. Mas o tempo que cada um levará para isso depende de pessoa para pessoa. Alguém que tenha histórico de ginástica olímpica ou mesmo ballet pode conseguir este feito rapidamente. Já uma pessoa com a coluna rígida e musculatura tensa terá um percurso maior e precisaria praticar muito mais do que apenas duas vezes na semana.

Mahabhujangásana (grande posição da cobra)

Mahabhujangásana (grande posição da cobra)

Neste ponto, eu pergunto: para quê? Quais os benefícios de se colocar os pés na cabeça? Quem você estará ajudando chegando neste objetivo? Quanto isto vai ajudá-lo em seu dia a dia?

Mais importante do que chegar em um ásana em sua totalidade, é a vivência da prática. É aprender a se conhecer e, devagar, melhorar sua saúde física, mental, emocional. É desenvolver autoconfiança, força, coragem, determinação, dilatação da capacidade de compreensão, dilatação da paciência, aprender a perdoar, aprender a se respeitar, a cuidar do próprio corpo, a purificar o corpo, adquirir melhores hábitos alimentares, eliminar vícios, aprender a não julgar os outros, reconciliar-se consigo mesmo… E estes são alguns objetivos da prática de Raja Vidya Yoga.

Portanto, caro praticante, desapegue do tempo de evolução nos ásanas. Eles serão consequência de seu esforço diário na prática e na vida. Perceba que a evolução acontece o tempo todo, talvez não na velocidade que você gostaria e não do jeito que você gostaria, mas certamente você está evoluindo nos ásanas, a cada prática. Se a evolução estiver lenta ou parecendo estagnada, avalie se você não está resistindo a ela. A resistência que nós mesmos criamos é que nos aprisiona e nos impede de evoluir mais rápido. Se não estiver resistindo, converse com seu Professor. Tenho certeza de que ele conseguirá norteá-lo para que sua experiência na Filosofia Vidya lhe traga mais consciência e crescimento.”


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Até a próxima edição! 

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